segunda-feira, 29 de abril de 2013
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Erudhir e os cinco reinos
Livro do Gabriel Moura 8º ano
Capitulo 1 –
O início de uma grande jornada
Há
muito tempo atrás, em um lugar distante chamado Quenya, onde criaturas
horríveis e anjos viviam em guerras sangrentas, havia cinco Reinos, cada reino
tinha seu líder, suas características e seus habitantes.
Caelun – A terra dominada por anjos, apenas
espíritos bons podiam entrar naquela área. Era formado por planícies e
montanhas, chamado pelos humanos de “Paraíso” era um lugar calmo, o canto das
criaturas celestiais era alto naquele lugar, a rainha daquele reino era Eruhui.
Tenebris – Formada por almas que não
encontraram a paz eterna no Reino de Caelun, um lugar horrível com pântanos
imensos e sujos, lugar que os humanos eram enviados quando morriam. A
governadora de lá era a impetuosa Gloriel.
Dryadalis
– Um lugar onde apenas meio-elfos e elfos poderiam morar, formados por
florestas densas porem iluminadas em meio a uma colina. Considerado o melhor
Reino para se viver, um lugar seguro longe das guerras entre os Reinos de
Caelun e Tenebris. Um lugar governado por Aglargon.
Glacies
– O Reino do gelo, o menos habitado de todos, era um lugar perigoso. Humanos,
Orcs, Centauros e outras raças viviam por ali, porem poucos deles. Os povos
mais isolados costumavam viver por ali. Governado por Nostariel, a poderosa
Bruxa gélida.
Ignis
– Um lugar cheio de Orcs, perigosas criaturas que viviam amontoadas por ali. Um
lugar tão desagradável quanto o Reino de Tenebris, parecia um formigueiro de
tantas criaturas, aventureiros ou soldados evitavam passar por ali por causa dessas
criaturas perigosas, a maioria delas eram saqueadores ou assassinos. Governado
por Tauron
Erudhir, um jovem meio-elfo que vivia
ao leste de Dryadalis que tinha dezessete anos de idade preparou-se a vida
inteira para sair em uma jornada para Glacies, O Reino do Gelo em busca do Santuário
da deusa Dirwen. Dizia a lenda que havia um baú dentro desse Templo perdido,
dentro do baú haveria uma poção que daria vida eterna a quem bebesse. O jovem
aventureiro partiu em busca do tesouro, armado com um arco e uma aljava que
continha quinze flechas, ele vestia uma roupa marrom e verde-escuro. Carregava
consigo uma mochila pesada com uma comida élfica chamda Lemba, que era um tipo
de biscoito. Erudhir tinha cabelo loiro e olhos verdes e era apaixonado por
Eruwen, uma bela elfa que morava próximo a sua casa, era muito amigo dela. Ela
tinha orelhas pontudas, olhos azuis e cabelo castanho liso, geralmente vestia
uma roupa branca, a cor preferida dela. O jovem aventureiro pensava nela
durante toda viagem, coincidentemente encontrou-a no meio do caminho e falou
com ela:
— Ola, o que esta fazendo a essa
distancia de casa? — Perguntou o garoto, ele estava confuso, pois
já estava a quilômetros de distancia de casa.
—É algo de ruim? Pode dizer. — Disse o
garoto com uma voz uma voz melancólica, tentando descobrir o porquê de ela
estar longe de casa. A garota parecia séria, com o rosto para baixo e parecia
estar triste, ele viu uma lagrima cair na terra. Finalmente a elfa levantou o
rosto avermelhado de tanto chorar, com uma voz triste e lenta ela disse:
—Meus pais morreram.
—Como?
— Orcs do reino de Ignis, eles
tentaram saquear minha casa. Mataram meu pai e minha mãe que estavam sentados
jantando.
— Aonde você vai ficar a partir de
agora?
— Não faço idéia, em falar nisso, para
onde você vai?
— Estou indo para Glacies, em busca do
santuário perdido de Dirwen. Você poderia vir comigo já que não tem lugar para
ficar.
— Não sei se isso poderá te atrasar.
Se eu for vou precisar arrumar minhas coisas e talvez leve um tempo.
— Claro. Leve o tempo que precisar.
A jovem olhou para os olhos dele e deu
um leve sorriso, ele correspondeu. Por um momento ela parecia ter se esquecido
da morte dos pais, Erudhir ficou um pouco feliz na hora. Os guardas da cidade
mais próxima já haviam retirado os corpos há três horas, mas, quando ela voltou
para a casa ela se lembrou da morte dos pais e começou a chorar novamente. Isso
acontecia toda hora, afinal, ela era jovem e tinha apenas 16 anos e perder os
pais não é fácil para ninguém, ainda assassinado por um bando de Orcs
infelizes. Em geral, os Orcs eram as criaturas mais odiadas de toda província
de Quenya porque eram sujos, barulhentos, agressivos e totalmente desagradáveis.
Afinal quem gostaria de criaturas assim?
Eles resolveram partir logo de manhã,
já tinham arrumado todas as coisas de noite, Eruwen dormiu na casa do garoto,
ele morava sozinho. Seus pais haviam morrido há três anos, ele já esta
acostumado a não ter companhia de ninguém alem do arco e a aljava com flechas
que andavam sempre com ele quando ia caçar. Já eram sete horas da manhã quando
eles levantaram para partir em direção ao reino de Ignis que fazia fronteira
com Dryadalis, o plano era tentar passar em silencio e não chamar atenção dos
Orcs. Os dois estavam com mochilas carregadas de comida, roupas e cada um
tinham seu próprio cobertor, o jovem aventureiro carregava seu arco (como de
costume) e uma adaga, a garota não sabia lutar, porem Erudhir prometeu
ensiná-la a lutar. Ela tinha uma noção básica do assunto, seu pai era ferreiro,
mas ele não gostava que ela se envolvesse com essas coisas. Finalmente saíram
em sua jornada para Glacies, levando em consideração que lá fazia frio, eles
levaram cobertores e roupas quentes.
No começo do caminho acharam um
coelho, o garoto que já tinha pratica em caçar abateu-o facilmente com uma
flecha certeira matando o pequeno animal na hora. Subiram uma colina e acharam
uma garota lá, ela estava vestida de preto, de costas para eles e parecia estar
chorando. O jovem tocou no ombro da garota que acabaram de encontrar e
perguntou com voz baixa:
— Você esta bem? — Era uma elfa, tinha
por volta de treze anos de idade e estava com uma varinha na mão, tinha marcas
de arranhões e um rosto belo. Ela olhou por cima do ombro e respondeu com uma
voz séria:
—Por que quer saber? — Ela apontou a
varinha feita de um tipo de madeira escuro diretamente para o rosto do garoto.
Ele estava com um pouco de medo, ele pensava que ela era algum tipo de bruxa ou
druida daquela região.
— O que foi esse arranhão? — Disse ele
com uma voz lenta e tomando cuidado com as palavras porque a garota parecia
estar muito agressiva. A garota permaneceu calada por alguns segundos ainda
apontando a varinha na cabeça dele, Eruwen pegou a garota e apontou a adaga
para o pescoço dela.
— Abaixe a varinha e tudo ficará bem.
— A garota abaixou e soltou a sua arma lentamente. Era possível ver uma marca
no braço da garota que parecia o símbolo da magia negra. Talvez fosse uma
bruxa, ninguém tinha certeza, mas o que quer que fosse ela poderia ser
perigosa.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Nossa página no Facebook
Oi galera, vim anunciar nossa pagina no facebook, lá iremos postar novidades do blog e talvez algumas tirinhas de humor, espero que curtam =) http://www.facebook.com/CDCBooks?skip_nax_wizard=true e obrigado pelas 530 visualizações, meta 600
terça-feira, 23 de abril de 2013
1º Bônus de ''O Principe Perdido''
1º Bônus de ‘’O Príncipe Perdido’’:
As Férias No Acampamento
PITER
|
Estávamos a quilômetros do nosso destino, eu, Aramis, Kevin, Ravena, Rey,
Hayley e Clenk. Hayley convenceu a seu pai de que era seguro acampar conosco,
só não comentou a parte que o acampamento seria em outra dimensão. Kevin e
Ravena não se brigavam faz semanas, Aramis foi como segurança. Rey e Hayley
também aviam feito as pazes, no momento tenho 14 anos. E eu, Aramis e Clenk,
estávamos segurando vela. As colinas cobriam as paisagens, um lago enorme, as
arvores chegavam a cerca de 5 metros de altura. Via-se pouca civilização ao
redor, o lago era tão limpo que dava para ver as nuvens no céu. As coisas não
podiam estar melhor, o outro lado do lago era para todos era o melhor lugar para
acampar. Não demorou muito e chegamos ao outro lado do lago, um carro com
feiticeiros, guerreiros, normais, e um doido (Clenk). Clenk estava com aquela
cara de quem estava segurando o vômito há umas 5 horas. Clenk depois de se
acostumar com teletransporte sofria com outros meios de transportes... O que
era bem estranho:
-Você está bem? – perguntei
-Nãooooooooo! – disse Clenk, com cara de
enjoado. – Odeio carros!
-Não tinha outro meio de transporte que
viria tão longe, nossa única opção foi o carro. – disse.
Mais na verdade estava apertado,
olhei em volta e a alguns quilômetros avia uma pequena loja:
-Vou lá, quero ver se tem banheiro – disse.
A caminho da loja eu
senti uma dor de barriga. Perguntei ao dono se tinha banheiro e ele disse que
era no fim da loja. O banheiro era branco com poucos vasos, como o primeiro
sanitário estava ocupado, entrei no seguinte. Quando estava sentado ouvi o cara
do lado perguntar:
- E aí? Tudo bem? – disse o
cara, embora não ai conversar com desconhecidos em banheiros públicos respondi.
- Bem...Estou vivo... -
Novamente o cara ao lado perguntou:
- E então, o que anda fazendo?
Embora começasse a achar o assunto estranho, respondi:
- Bem, agora estou aqui no
banheiro. Depois vou para um acampamento com meus amigos... – disse, então,
ouvi o cara ao lado dizer em tom chateado:
- Olha, tem um cara aqui ao lado
cagando, que me responde cada vez que te faço uma pergunta... te ligo depois..
– disse o cara.
Fiquei totalmente
perplexo, muito mesmo envergonhado, mas sair fiz coisa pior tinha umas 8
velhinhas jogando algo parecido com bingo. Ai eu descobri como fazer 8
velhinhas ficarem muito irritadas com você é só gritar BINGO alto. Todas as
velhinhas estavam me encarando. Sai correndo, e pensei em uma coisa muito
engraçada que eu tinha presenciado em minha primeira escola. Era uma escola
muito heterogênea, onde estudam alunos de várias classes sociais, durante uma
aula de português, a professora pergunta:
- Qual é o significado da palavra 'óbvio'?
Rapidamente, Carine, rica, uma das mais aplicadas alunas da classe, que estava
sempre muito bem vestida, cheirosa e bonita, respondeu:
- Prezada professora, hoje acordei bem cedo,
ao raiar da alva, depois de uma ótima noite de sono no conforto de meu quarto
particular. Desci a enorme escadaria de nossa humilde residência e me dirigi à
copa onde era servido o café. Depois de deliciar-me com as mais apetitosas
iguarias, fui até a janela que dá vista para o jardim de entrada e admirei
aquela bela paisagem por alguns minutos, enquanto pensava como é agradável e
belo o viver. Virando-me um pouco, percebi que se encontrava guardado na
garagem o automóvel BMW pertencente a meu pai. Pensei com meus botões: 'é ÓBVIO
que meu pai foi ao trabalho de Mercedes'. Sem querer ficar para trás, Luis
Cláudio Wilson, de uma família de classe média, acrescentou:
- Professora, hoje eu não dormi muito bem,
porque meu colchão é meio duro. Mas eu consegui acordar assim mesmo, porque pus
o despertador do lado da cama para tocar cedo. Levantei meio zonzo, comi um pão
meio muxibento e tomei café. Quando saí para a escola, vi que o fusca do papai
estava na garagem. Imaginei: 'é ÓBVIO que o papai fo i trabalhar de busu'.
Embalado na conversa, André, de classe baixa, também quis responder:
- Fessora, oje eu quase num durmí, purquê
teve tiroteio até tarde na favela. Só acordei di manhã purquê tava morreno di
fome, mas num tinha nada pra cumê mesmo... quando oiei pela janela du barracão,
vi a minha vó cum jornal dibaxo du braço e pensei: 'é ÓBVIO qui ela vai cagá.
Num sabe lê!
Ri bastante nesse dia, ai
lembrei-me de outra cena que tinha visto quando meu pai estava doente eu fui
visitá-lo no hospital e acabei ouvindo um casal enquanto passava no corredor e
a mulher disse:
- Querido, nós fomos felizes por 25
anos. Por isso, se acontecer o pior, desejo a sua completa felicidade. Encontre
uma mulher que seja uma boa amante e companheira, melhor ainda do que eu tenho
sido. Dê tudo o que é meu para ela, até mesmo as roupas... – disse a mulher
triste.
- Isso será impossível, querida. Você usa 46
e ela 38... – Respondeu seu marido se pensar no que disse.
Olhei e vi que o pessoal foi
muito rápido em montar o acampamento, Kevin e Ravena estavam a beira do
lago, Rey e Hayley estavam montando a fogueira, Aramis estava vasculhando a
área, Clenk estava sentado olhando os outros sem fazer nada. Ele olhou para
mim, e veio correndo em minha direção:
-Desculpa pela minha ignorância, me
lembro até hoje a minha primeira vez que fui andar de Griffo, eu disse para
minha inspetora: ‘’Nossa, as pessoas daqui de cima parecem formigas! E ela me
respondeu: ‘’Mas são formigas ainda nem levantamos vôo! – disse Clenk,
parecendo lembrar-se de alguma como ter levantado vôo e ter caído.
Clenk
|
Lembrei-me
de minha primeira vez em que montei em um griffo, só montei mesmo por que fui
encorajado, e meio que forçado... Estava sentado no banco arrumando os equipamentos,
quando uma garota sentou do meu lado:
-Oi! Tudo bem? É sua primeira vez? –
disse ela.
-Não só to com medo! – disse.
-Me chamo Ravena, é minha primeira vez
fazendo o teste. – disse Ravena.
-Me chamo Clenk, é minha sext...
Sétim... Non... Décima Segunda vez. – disse.
-Nossa você é o que um instrutor? –
disse Ravena.
-Não só um aluno mesmo... Pra falar a
verdade não quero fazer este teste. – disse.
Então pensei em um ótimo plano, olhei Ravena
terminando de arrumar os seus equipamentos.Me despedi de Ravena, e olhei Scot
um garoto moreno, com cabelo preto encaracolado, ele olhou em minha direção
então o chamei:
-Oi! Que você que? – disse Scot.
-É... Só... Você... Esqueci-me quando lembrar-me
te digo – disse.
-Tá! Mais é melhor lembrar logo, pois a
minha é a próxima vez. – disse Scot.
-Vou me lembrar, aliás, do que eu consigo
esquecer? – disse, sorrindo.
Olhei minha instrutora, e tinha sido na
hora certa de eu ter chamado o Scot, pois estava nos observando. Fui a sua
direção e fiz uma cara triste:
-Instrutora, aconteceu algo terrível,
minha vó morreu! – disse.
-Quem te disso essa mentira! – disse ela.
-Foi o Scot, não viu ele me contou agora!
– disse.
-Então vou falar com ele. – disse ela.
Tive sorte, pois Scot tinha acabado de
saltar com seu griffo, olhei para minha inspetora que nesse momento estava com
a cara da cor de um pepino, mas ai se lembrou de algo. Deu um sorriso, me olhou
e disse:
-Pode ir, aposto que deve estar muito
preocupado, não é? – disse ela.
Ravena estava atrás de mim acompanhada da
ultima pessoa que eu queria ver... Minha vó:
-Ravena? Por que? – disse.
-Então parece que já conheceu minha
filha, Ravena! – disse.
-Você estava me vigiando? – disse.
-Não só cuidando para que você não
escapasse. – disse Ravena sorrindo.
-Desta vez eu estou aqui nem adianta
fugir! - disse minha avó.
-Bem que eu queria... – resmunguei.
-Chega de conversa é sua vez! – disse a
inspetora.
Aquela foi a pior de todas a tardes de
minha vida, depois de cair 5 vezes do
griffo, finalmente consegui subir. Cai de cara no chão depois de 1 minuto no
griffo, tive sorte que naquele ano tirei
as melhores notas na teoria, só pó esse motivo que consegui escapar da
academia, ou como eu chamava aquilo ‘’inferno feito para o Clenk’’. Até eu voltar pro presente, Piter estava me
encarando e disse:
-Cara você por acaso visitou a lua? –
disse Piter.
-Não! Por quê? – disse.
-Porque pelo tempo que você ficou parado
dava pra dar uma volta na galáxia inteira! – disse Piter, rindo.
Fomos juntos ao acampamento, Rey estava
sentado arrumando suas coisas, Hayley estava na fogueira, Aramis estava
conversando com Kevin, Piter coçou a cabeça, como se tivesse se lembrado de
algum assunto a se tratar comigo, mais aquilo para mim queria dizer ‘’É a hora!
Vamos ficar 1 hora te interrogando!’’ mais na verdade ele me olhou e disse:
-Por que todo mundo parece da minha
dimensão? – disse Piter.
-Ah é! Essa área é reservada somente
para pessoas da outra dimensão, por isso mesmo que combinamos de não usamos
armas ou magias aqui. – disse.
-Então era aqui que meu pai morava? –
disse Piter.
-Não seu pai preferiu ficar no reino com sua
mãe. – disse.
Paramos de falar e olhamos para o lago ele
estava brilhando como se fosse feito de pequenos cristais. Olhei Ravena e fui
em sua direção :
-O que foi? – disse Revena.
-Nada só vim conversar sabe. – disse.
-Não, não sei – disse Ravena.
-Eu tenho uma coisa para te falar! –
disse.
-O que? – disse Ravena, me
encarando(Odeio quando ela faz essa cara).
-Eu é... Eu... EU TE AMO – disse, não me
contendo.
-O que? Como? Eu já tenho... Quer
dizer... Eu e o Kevin... Não! – disse ela parecendo. – Clenk todo mundo sabe
que você é...
-O que? Em? O que eu so? –disse.
- Bipolar! – disse Ravena – você muda de opinião
rápida, pode ser influenciado por qualquer um não sabe direito o que fala! –
disse Ravena.
-Então é isso que você acha que eu sou um
cara que não tem opinião própria. –disse triste.
-Me desculpa eu não queria... – disse
Ravena.
Não olhei para ela, simplesmente
levantei-me e sai andando. Ouvi-a gritar alguma coisa mais suas palavras se
perdiam no ar. Fui em direção a Aramis segurando minhas lagrimas:
-O que aconteceu? – disse Aramis.
-Eu disse... A Ravena... Eu fiz a pior
coisa que já poderia ter feito.
ARAMIS
|
Não
sabia o que Clenk estava dizendo, mas logo eu cerrou os punhos e saiu correndo.
Ravena estava sentada em um tronco com uma cara péssima, como se tivesse
acabado de ver Kevin com outra garota, fui em direção a ela mas ela me olhou e
saiu correndo. Piter chegou do meu lado, olhei para ele. Ele fez um sinal
dizendo algo como – O que aconteceu? – balancei minha cabeça fazendo um sinal
de não:
-Vou procurar pelo Clenk. – disse
Piter.
-Vou atrás da Ravena. – disse.
Piter foi em direção a oeste onde Clenk
avia corrido. Eu fui em direção ao lago onde Ravena estava sentada. Sentei-me
ao seu lado:
-O que aconteceu? – disse.
-Eu... Eu não sei! – disse Ravena
chorando.
-Como assim!? – disse.
-Clenk foi o primeiro de todos aqui que
já conheci, mas nunca pensei nele mais que um amigo. – disse Ravena.
-Mais e o Kevin! – disse.
-EU NÃO SEI! – disse.
Ela ficou olhando a água, me levantei e fui
em direção a Rey que estava contando piada para o Kevin e a Heyley. Ele olhou
para mim, e parece ter entendido o recado de eu querer falar com ele:
-Oi? –disse.
-O Clenk acabo de fala que gosta da
Ravena. – disse
-O que? Mais? E o Kevin? – disse Rey.
-Nós sabemos mais Ravena não sabe o que
fazer, no momento quero que você fique com ele. Evite que ele comece a
conversar com a Ravena. – disse.
-Está me pedindo para separar os dois? –
disse Rey.
-Sim! –disse
Felizmente Rey era compreensível ele sabia
que não seria nada legal estragar as nossas férias. Fui em direção ao oeste a
procura de Piter. Depois de andar alguns quilômetros vi Clenk e Piter sentados
em uma pedra. Clenk estava triste, Piter estava falando muito baixo. Clenk deu uma
cotovelada na barriga do Piter que falou algo como – AIIIIIIIIII! – Clenk abriu um sorriso que
eu nunca tinha visto antes. Estava sorrindo tanto que parecia tentar partir
suas cara em da boca para baixo, e do nariz para cima. Disse algo como – Já sei
o que fazer! – e saiu correndo. Piter e eu corremos atrás dele, mais já era
tarde ele estava de frente a Ravena. Estava conversando mais pararam quando
Kevin se intrometeu no meio da conversar, o que foi no pior momento pois Clenk
tinha acabado de falar – Eu disse que te amo! – e pelo que parecia Kevin avia
escutado essa frase:
-Como assim, ‘’Eu disse que te amo’’?Em,
Clenk? – disse Kevin com cara de poucos amigos (O que não era verdade pois
estava rodeado de vários).
- Eu disse a Ravena que amava ela, eu
acho, quase isso. Enfim ela me deu um fora. Vindo para cá estava disposto a me
declarar mais pensei ela é linda, mais mesmo assim não é tão linda quanto a
Hanna, aquela elfa loira, cara ela é muito DIVA! – disse Clenk sorrindo. Sabia
que na verdade ele só queria deixar as coisas do jeito que estavam, pois ele
era um ótimo amigo e não podia fazer uma coisa assim com o Kevin.
-Seu desgraçado! Depois fica triste
quando eu te falo que é ‘’BIPOLAR’’. – disse Ravena muito brava.
-EU NÃO SOU BIPOLAR!!! – disse Clenk
berrando.
Kevin o encarou por alguns segundos, mais ele
sorriu e disse:
-Só você mesmo pra conseguir irritar a
Ravena desse jeito, por isso você é o meu melhor amigo! – disse Kevin.
Ravena já brava quis dar um troco no Clenk,
ela arrumou seu cabelo pegou na mão de Kevin e o beijou, após ficarem 5 minutos
se beijando ela parou e disse:
-Bom pelo menos agora está tudo normal! –
disse.
Piter puxou eu e Clenk para o lado:
-Acho que foi muito legal o que você fez
pelo Kevin. – disse Piter.
-Pelo Kevin? Você já viu a Hanna? Senhor
cristo perto dela eu tenho que a cada segundo pedir perdão pelos meu pecados! –
disse Clenk.
Fomos todos para a fogueira, já era noite e
só se ouvia Rey contando suas piadas. O pessoal ria, brincava, e beijava
(Ravena e Kevin/ Rey e Hayley). Piter ficou do meu lado e do outro Clenk.
Estávamos cansados então acabamos dormindo em volta da fogueira. Os únicos
acordados eram Piter e eu, nós colocamos cobertores em cada um. Depois fomos
para cima da montanha onde podia se ver completamente o céu. Piter parecia mais
velho, não ligava para sua aparência desde a primeira vez em que nos vimos,
quando eu o resgatei de um monstro metade cobra metade mulher.
Deitamos
e ficamos olhando as estrelas, os dias se passaram rápidos tínhamos pouco
tempo. Só tinham nos dado 1 semana de férias, mais eu acredito que aproveitamos
muito bem cada minuto desse tempo!
Fim.
domingo, 21 de abril de 2013
Os Mistérios de Um Crime
Giovanna e Raphaela
Capítulo 1: O livro, o endereço
A minha vida é muito complicada, minha mãe
morreu horas depois de eu ter nascido e meu pai... Bem, meu pai foi assassinado
quando eu tinha apenas 4 anos.
Meu pai tinha um irmão mais velho, Greg, eu iria ficar com ele, mas ele era um homem muito ocupado com os negócios da empresa então não teria tempo para cuidar de mim, e como ele era meu único tio me mandaram para um orfanato. Já com seis anos fui adotada por um casal californiano. Eles sempre cuidaram bem de mim, me compravam as coisas, era sempre legais e gentis e sempre me chamavam de filha, era como se fossem meus pais de verdade, como se eu nunca tivesse sido adotada, mas eu ainda queria descobrir quem matou meu verdadeiro pai.
Voltando a falar do meu pai, John, era um
homem de negócios, dono de uma enorme empresa junto com seu irmão Greg. Não me
lembro muito bem de meu tio, pois já fazem doze anos que não o vejo.
Quando fiz treze anos, resolvi procurar o
culpado pela morte de meu pai, e hoje com dezesseis posso sentir que estou bem
perto do culpado por digamos, ter arruinado a minha vida.
Eu estava mexendo no meu computador vendo e revendo as filmagens da câmera de uma lanchonete que havia filmado o assassinato, minhas lágrimas já escorriam no teclado do computador, mas eu continuava vendo a hora em que o homem pegava uma arma e atirava na cabeça do meu pai. Eu me lembro daquele dia como se fosse ontem.
Eu estava passeando com meu pai, lembro que quando passávamos por um beco, um homem encapuzado puxava meu pai, que logo caiu no chão junto comigo. O homem me afastou de meu pai e começou a chutá-lo e a dar socos e chutes em seu rosto, e antes de sair do beco, puxou uma arma e atirou em sua cabeça. Eu fiquei em choque com o que havia acabado de acontecer, fui para perto de meu pai, e comecei a chorar, e após uns dez minutos, uma moça que passava pela rua ficou curiosa com o porquê de eu estar chorando tanto, e adentrou no beco escuro, ao ver o corpo de meu pai no chão ela quase desmaiou. Tirou-me de perto dele, e ela assustada me perguntou o que havia acontecido, e após eu dizer tudo ela ligou para a polícia, e logo depois o local foi cercado por talvez umas três viaturas e uma ambulância.
Sem eu perceber começou a sair fumaça de dentro do meu laptop por causa de minhas lágrimas que estavam caindo cada vez mais nele – que legal, de novo –. Peguei um pano que estava em cima de meu livro de história e comecei a limpar as lágrimas que estavam caindo em meu computador. Saí e fui até a varanda que havia no meu quarto. A vista de lá era incrível. Eu conseguia ver perfeitamente o Empire State Building, entre outros prédios magníficos de Manhattan, eu realmente amava aquela varanda, era pra lá que eu ia toda vez que eu sentia falta do meu pai, e até mesmo da minha mãe, que mesmo não tendo conhecido ela eu a amava. Peguei um livro que estava em cima da mesa que havia ali, e sentei na cadeira que estava ao seu lado, o livro era bom, mas tive que reler várias partes, pois aquela imagem do meu pai sendo assassinado vinha na minha cabeça e eu começava a chorar novamente. Depois de um tempo lendo e relendo as páginas molhadas do meu livro eu adormeci ali mesmo. Meus olhos estavam ardendo por causa de tanta luz que batia em meu rosto logo de manhã. Levantei-me da cadeira com um pouco de dificuldade, pois estava com uma dor nas costas horrível pelo fato de eu ter dormido em uma cadeira nada confortável. Desci as escadas e meu pai já estava tomando café da manhã, e minha mãe com certeza já estava trabalhando.
–
Bom dia meu anjo – disse meu pai dando um sorriso pra mim.
Meu
pai era bem legal, seus olhos eram negros igualmente como seu cabelo, eu o
achava bonito, mas às vezes ele era um pouco misterioso.
–
Bom dia pai – disse retribuindo o sorriso e pegando uma maçã de dentro da
fruteira.
–
Não vai tomar café da manhã? – disse ele me olhando com uma cara um tanto
curiosa.
–
Não, não estou com fome – eu disse dando uma mordida na maçã.
Meu “pai” não sabia do assassinato do meu pai biológico, eu nunca contei porque, eu odeio quando as pessoas sentem pena de mim. Odeio aquele olhar, um tanto “afetuoso”.
Subi as escadas em direção ao escritório de meu pai para buscar um livro para ler. Abri a porta e me deparei com a imensa biblioteca que havia no escritório dele. Fui até uma parte com alguns livros antigos cujo um me chamou a atenção, peguei-o e o levei para meu quarto, sentei novamente na cadeira que eu havia dormido e comecei a lê-lo. O livro era bem interessante, eu estava quase no fim quando, onde deveria estar a última pagina, estava uma folha em branco, onde continha dois endereços, o nome de uma pessoa e o nome do meu pai biológico. Algumas lágrimas caíram de meu rosto, mas eu as enxuguei rapidamente, não queria começar a chorar, nem se lembrar de meu pai novamente. Fui até a escrivaninha do meu quarto onde estava meu computador, e após liga-lo procurei somente um dos endereços, pois o outro eu já havia identificado como a rua do beco onde meu pai fora assassinado. O outro endereço havia me levado a uma casa na parte norte da cidade, não era muito longe, apenas alguns quilômetros da minha casa. Depois de um tempo olhando aquela casa me dei conta de uma coisa, aquilo era uma pista do assassinato de meu pai? E se fosse, o que ela estaria fazendo em um livro do escritório de meu pai? Mas isso não importava agora, eu tinha uma nova pista, eu estava cada vez mais perto do culpado da morte de meu pai.
Olhei no relógio e já eram onze e quarenta e
cinco da noite, amanhã eu iria pra escola e depois até o tal endereço, seria um
dia cheio.
Capítulo 2: O
Armazém
Armazém
Quase passei a noite em claro por
causa daquela folha com o nome de meu verdadeiro pai, eu realmente não sabia se
aquilo era uma pista, e se fosse, por que estaria na biblioteca dele? Eram
muitas perguntas cujas respostas estavam longe, porém cada vez mais perto.
Depois de ter tentado dormir várias e várias
vezes, resolvi procurar mais algumas coisas que eu acreditava que poderiam ser
útil como “pistas”, mas não achei nada. Eu havia revirado cada livro daquela
biblioteca. Levantei-me da cama um pouco tonta, pois não havia dormido quase
nada na noite anterior. Eu gostaria de ficar ali no meu quarto dormindo o dia
inteiro, mas meu celular não me permitia dormir mais alguns instantes por causa
de seu som alto e um tanto ensurdecedor. Fui até a cozinha preparar um lanche,
pois eu estava com muita fome. Abri a geladeira e peguei algo para comer e sentei-me
à mesa.
– Bom dia – disse minha mãe pondo as mãos em minhas costas.
–
Bom dia – eu disse dando um sorriso torto porque minha mãe ainda estava em
casa, essa hora ela já deveria estar em seu escritório trabalhando.
–
Acordou cedo hoje
–
Na verdade mãe, já são sete e meia.
Minha mãe olhou no pulso dela onde estava seu relógio favorito, o qual ela nunca tirava e arregalou os olhos. A cena que eu vi foi um tanto engraçada, pois minha mãe deu um tipo de “mini surto”subindo as escadas gritando algo que pelo que eu entendi ser “droga”.
Após acabar de comer minha maçã fui subindo
as escadas indo em direção ao meu quarto. Peguei meu material, desci novamente
e fui em direção à porta dos fundos onde ficavam os carros, olhei em volta e
apenas vi o carro de meu pai e o meu. Nunca irei descobrir como minha mãe
consegue ser tão rápida. Abri a porta do meu carro, pus minha mochila no banco
do passageiro, e fui seguindo as ruas até minha escola.
Eu realmente não tinha muitos amigos, aliás,
tenho apenas uma amiga, e só ela que sabe sobre minha história, eu realmente
confiaria minha vida a ela, e aposto que ela também confiaria a sua em mim.
Continuei dirigindo em direção ao
estacionamento da escola, parei em uma vaga embaixo de uma árvore e fui andando
em direção à porta, mas quando eu percebi eu estava beijando o asfalto e uma
pessoa ruiva estava em cima de mim.
– Olá pra você também – eu disse com a bochecha colada no chão quente.
–
Olá – disse Nathalia, minha melhor amiga, com um sorriso radiante no rosto.
–
Sabe, esse asfalto está começando a queimar minha bochecha.
–
Ah, desculpa – disse ela ainda com um sorriso no rosto saindo de cima de mim.
–
O que foi? – falei fechando um pouco os olhos curiosa e pondo a mão em minha
bochecha que estava começando a arder.
–
Nada demais, apenas acordei alegre hoje – disse ela ainda sorrindo, havia um
motivo a mais para aquele sorriso estar tão radiante, mas eu não podia me
preocupar com isso agora.
–
E você Emilly, porque está com esta cara de pensadora? – não me liguei na hora
que ela havia feito uma pergunta, eu apenas continuava pensando naquela página
quase em branco no final do livro. Devo ter ficado pelo menos uns dois minutos
quieta andando em direção a porta da escola.
–
Apenas algumas novas pistas – disse ainda olhando para a porta que estava a
minha frente
–
Que tipo de pistas? – ela me perguntou, mas nesse exato momento o sinal de
entrada tocou e não deu tempo defalar o que havia acontecido ontem.
–
Depois eu te ligo, estou atrasada.
Então eu saí correndo subindo as escadas e indo direto para o meu armário que ficava poucos armários do de Nathalia. Peguei meus materiais e fui em direção à sala treze, a sala de história. Ela era mediana, tinha uma lousa eletrônica branca, as paredes eram verde mar com uns pequenos detalhes de branco e possuia cadeiras universitárias. Fui em direção a uma cadeira encostada na parede, na terceira fileira, eu sempre sentava ali. Após sentar-me na cadeira o Sr. Schmidt entrou na sala pra começar sua aula com aquela sua cara de “odeio todos vocês” e a aula começou com aquela sua voz lenta e tediosa, e assim se estendeu minha uma hora e meia de aula de história, depois ciências, intervalo, português, artes e por final o último sinal tocou, declarando o último minuto de aula.
Fui
até o meu armário pegando minhas coisas e as colocando na minha mochila e em
seguida saindo do colégio e indo até meu carro procurando as chaves e a folha
quase em branco da última página do livro. Entrei no carro fui dirigindo entre
ruas e mais ruas, me perdendo algumas vezes até que eu cheguei em um dos
endereços, um cheguei num armazém velho e abandonado. Estacionei meu carro na
rua de trás e fui andando até o armazém logo em seguida. A porta estava
entreaberta então foi fácil de abri-la. O armazém era bem grande e tenebroso
era todo feito de madeira e pelo que eu previ estava abandonado. A madeira
estava podre e desgastada por causa de tanto tempo sem cuidá-la. Conforme fui
entrando no armazém comecei a ver mais alguns detalhes, como algumas fotos
antigas com um enorme “X” que cobriam as imagens das fotos coladas em algumas
partes das paredes, e uma coisa que me chamou a atenção havia um computador no
meio do armazém. Fui me aproximando do computador aos poucos, mas quando eu
olhei para frente percebi uma coisa, o armazém não era abandonado, eu não
estava sozinha, na minha frente havia uns cinco homens em volta de uma espécie
de mesa conversando sobre alguma coisa que eu não consegui ouvir direito, mas
quando percebi que a conversa estava acabando eu corri pra uma pequena escada
que dava pro andar de cima do armazém e no exato momento em que eu acabei de
subir na pequena escada que dava pra parte de cima, agachei-me e fui até a
beirada tentando prestar atenção no que eles falavam, devo ter ficado ali uns
dez minutos prestando atenção neles com uma sensação de deja vu toda vez que eu
olhava pra eles, até que então eu reconheci um deles, como eu pude ser tão
burra a ponto de não reconhece-lo? Porém eu nunca poderia suspeitar dele, ele
não poderia estar envolvido com a morte de meu pai, poderia? Ele sempre foi tão
quieto e entedioso, ele não poderia ser o autor do assassinato, e se ele fosse
quem eram os homens que estavam junto a ele? E porque ele fez aquilo?
Eu estava prestando atenção no que eles falavam mas eu não conseguia ouvir muita coisa, pelo que eu entendi, eles falavam algo sobre um empresario e receber uma grande quantia em dinheiro, continuei lá ouvindo sua conversa sem entender nada, por que eles estavam usando uma espécie de código e depois de mais 10 minutos prestando atenção na conversa deles o meu maldito celular começou a tocar que nem um louco, todos viraram a cabeça pra parte de cima do armazém mas antes mesmo de eles se tocarem que havia alguém ali, eu já estava pulando a janela e correndo até a rua de traz para entrar no meu carro e ir para minha casa, sim, minha “mãe” havia me ensinado alguns truques, e quando eu me dei conta eu já estava na rua da minha casa, estacionei meu carro e subi as escadas correndo sem nem dar oi para minha mãe que estava na cozinha preparando o jantar, peguei meu celular do bolço, e vi quem havia ligado, era Nathalia, provavelmente querendo saber oque eram as “pistas” que eu havia mencionado aquela manhã, liguei pro celular dela e apos ela atender e eu explicar tudo eu falei quem eu havia reconhecido.
-
Eu vi o Sr. Schmidt
Capítulo 3: O Armário
–
Como assim você viu o Sr. Schmidt!? – dizia Nathalia gritando
–
Quando eu estava naquele armazém, galpão, que seja... Eu o vi.
–
Mas... Você acha que ele é o assassino?
–
Eu não tenho certeza, acho que sim, como eu não percebi isso antes?
–
É... Você está em casa?
–
Sim, por quê?
–
Eu estou indo aí.
–
O que...?
Antes que eu terminasse de falar ela desligou na minha cara, como sempre. Alguns minutos depois a campainha tocou, era Nathalia.
–
Você desligou na minha cara. – eu disse com uma cara de “poucos amigos”.
–
Ah, você está acostumada.
–
Ok, o que você quer?
–
Nossa, ok então, eu vim aqui porque queria te ajudar.
–
Entra antes que eu mude de ideia.
–
YUPI- ela gritava parecendo uma criancinha, uma cena estranha, porém divertida.
Chegamos à biblioteca e Nathalia começou a falar muito rápido coisas que, pelo que eu entendi era “Ainda não acredito que você viu o Sr. Schmidt” “Você tem certeza de que era ele?” “Meu professor de História é um assassino!” “Você tem café?”.
Mesmo que eu tivesse café eu não o daria de jeito nenhum para Nathalia, pois
ela iria ficar mais agitada ainda e eu não ia aguentar ela falando o dia
inteiro no meu ouvido.
–
Você vai dormir aqui? – perguntei pois já se passavam das 23:00.
–
Já que você insiste- disse ela com um sorriso no rosto.
–
Legal.
–
Quantos pijamas você tem?
–Vários,
eu te empresto um – “como sempre” eu queria ter dito.
Fomos para meu quarto, nos trocamos e fomos dormir, a Nathalia dormiu em um colchão ao lado da cama e eu obviamente na minha cama.
Acordei com alguém me chamando, ou melhor, gritando no meu ouvido.
–
Emilly? Emilly acorda!
–
O que foi? – eu disse baixinho
–
Esse seu despertador não para de tocar! Como desliga?
–
Está vendo esse botão escrito “On/Off”?
–
Sim.
–
Então, é aí.
–
Ah, eu... eu acordei assustada com o barulho, normalmente minha mãe quem me
acorda.
–
Sim, sim, você quer se trocar primeiro ou tomar café?
–
Comida sempre em primeiro lugar.
–
Claro.
Descemos as escadas e não havia ninguém em casa, nem mesmo meu pai. Peguei um pacote de pães de forma, queijo, peito de peru, alface e tomate e fiz sanduíches para mim e Nathalia.
Já no carro, coloquei minha mochila no banco de trás e Nathalia fez o mesmo. Fomos a viagem inteira falando sobre o Sr. Schmidt e de como eu não havia percebido que ele era o assassino do meu pai, mas não posso afirmar nada ainda, eu só o vi e reconheci como assassino, não tenho provas, ainda.
Estacionei o carro no estacionamento da escola e desci do carro.
Andando até meu armário, acabo me chocando com outro ser, adivinha quem, o Sr. Schmidt. Ele me observava estranhamente, mas me ajudou a pegar minhas coisas. Dirigi-me até meu armário e encontrei Nathalia que começou a me encher de perguntas, ela faz isso quando está nervosa.
– Ele falou com você? Ele pediu desculpa ou ele foi grosso?
–
Sim, ele pediu desculpa e me ajudou a pegar minhas coisas.
–Você
vai à sala dos professores olhar o armário dele pra ver se acha alguma pista?
–
Não... Espera de onde você tirou essa ideia de gênio?
–
É... Eu não sei, eu estava pensando nisso desde ontem, você me chamou de gênio?
– Os olhos de Nathalia cintilaram.
–
Sim, posso usar sua ideia?
–
Claro, só tome cuidado. - ela disse um tanto apreensiva, como uma mãe
advertindo um filho.
–
Você me dá cobertura, minha aula depois do intervalo é de matemática, qual é a
sua?
–
Eu pensei que você tivesse decorado meus horários, eu acho que é inglês.
–
Certo, você pede para ir ao banheiro e me encontra na porta da sala dos
professores, ok?
–
Eu... Você tem certeza disso?
–
Absoluta. Qual a sua primeira aula?
–
Francês, e a sua?
–
Francês, ótimo, assim nós conversamos mais sobre o nosso “plano”.
–
Nosso?
–
Nosso.
Chegamos na aula de francês e ficamos conversando a aula inteira, baixo claro, ninguém pode ficar sabendo.
A aula de francês acabou e eu e Nathalia tivemos que nos separar, pois eu tinha aula de história e ela redação.
História, aula de história, tudo que eu precisava era ficar uma aula inteira sentada naquela sala olhando pra cara do professor, olhando cada traço dele e comparando-o com o homem que eu vi naquele armazém. E pude finalmente afirmar, era o Sr. Schmidt.
Mal podia esperar pelo intervalo, encontrar Nathalia que, provavelmente estaria nervosa e, terminar de planejar nosso plano.
Dez e quinze, intervalo. O sinal tocou e fui atrás de Nathalia.
Depois de correr pelos corredores da escola feito uma louca à procura de Nathalia, finalmente a encontrei.
–
Nathalia! – eu gritei.
–
Eu! - ela gritou de volta, mesmo ela não tendo feito nada, às vezes eu
tenho vontade de socar a cara dela.
–
Você sabe o que fazer, e onde fazer, certo?
– Eu tenho que te encontrar na porta da sala dos professores e te dar cobertura.
– Eu tenho que te encontrar na porta da sala dos professores e te dar cobertura.
–
Correto, é impressão minha ou alguém está ficando inteligente? – quando eu
disse isso ela abriu um enorme sorriso no rosto, um sorriso bobo, um sorriso de
criança, um do tipo o que o meu pai dava quando estava comigo.
O sinal tocou novamente, acabou nosso recreio. Nunca estive tão ansiosa para uma aula antes.
–
Professor, posso ir ao banheiro? – perguntei tentando não sorrir.
–
Claro, mas ande logo.
Dirigi-me à sala dos professores, obviamente eu não ia ao banheiro, e logo encontrei Nathalia na porta.
– Vai logo – disse ela.
–
Ok, se alguém chegar perto me avisa.
–
A gente precisa de um sinal.
–
Você grita alguma coisa do tipo “criança quer nutella”.
– Isso não é
coisa de gente normal.
–
Você não é normal.
–
Ok, anda logo.
Entrei na sala, olhei pro armário e, sim, eu sabia a senha, como? Outro dia ele me pediu pra buscar o estojo dele e teve que me dar o código. Consegui abrir o armário, ele não mudou a senha, eu sou meio sortuda. Abri o armário e comecei a ver o que tinha dentro. Até que achei uma coisa interessante.
Capítulo 4: A foto
O que eu vi não era nada mais
nada menos que uma foto, uma foto do Sr. Schmidt e de meu pai. A foto era velha
e desgastada, meu pai abraçava o Sr. Schmidt com um enorme sorriso no rosto.
Atrás deles havia uma casa pequena, com uma horrorosa pintura amarela e uma
cadeira de balanço de madeira, virei a foto e encontrei uma coisa, o nome do
local e o dia em que foi tirada aquela foto, Wilmington, Delaware - 05/07/1999. Um dia
antes da morte de meu pai. Fiquei um tempo olhando para aquela foto até que
ouvi alguém gritando.
– Criança quer Nutella! – gritou Nathalia do lado de fora da sala. Olhei pelo vidro e vi quem vinha andando pelo corredor.
–
Droga, logo a diretora Sparks – pensei.
Olhei em volta, procurando um bom lugar para me esconder enquanto a diretora Sparks dava uma bronca em Lia por ela não estar na classe e por ter gritado. Continuei olhando em volta e percebi que a mesa que havia ali tinha uma longa toalha cobrindo-a. Corri até lá e me escondi, no mesmo instante a porta se abriu.
A diretora Sparks entrou na sala, pegou uns papéis e logo se retirou, dei graças a Deus por ela não ter me visto. Saí da sala correndo e fui direto para a sala de matemática. Todos olharam pra mim, pois eu havia aberto a porta com um pouco de força e talvez tenha batido contra a parede e feito um barulho que talvez até a China tenha escutado.
– É... Com licença professor.
–
Entre.
Olhei em meu bolso e lá estava aquela foto, a foto do meu pai e do Sr. Schmidt abraçados. Eu tive mais uns vinte minutos de aula até que o sinal tocou anunciando que poderíamos ir embora, fui até o meu carro no estacionamento do colégio quando Nathalia me deu o maio susto.
–
Então? – Perguntou ela entusiasmada – Encontrou alguma pista?
–
Sim, encontrei uma foto – Disse enquanto a entregava a foto – Wilmington,
Delaware, 5 de julho de 1999
–
Um dia antes de... – Nathalia disse sem completar a frase
–
Sim, um dia antes da morte de meu pai – Eu disse quando algumas lágrimas
começaram a cair de meu rosto e as limpei rapidamente para não começar a chorar
no meio do estacionamento.
–
E o que você pretende fazer? – Disse ela com um tom de curiosidade.
–
A coisa mais óbvia a se fazer, vou até essa casa e procurar algumas pistas.
–
São duas horas e meia de viagem, seu pai nunca iria deixar você ir sozinha.
–
A menos que – Eu disse pensativa e no mesmo instante olhei para ela.
–
Você nunca vai parar de me por nessas suas enrascadas malucas não é? – Ela
disse pondo uma das mãos na testa.
–
Nunca – Eu disse sorrindo – Está decidido vamos a Wilmington no sábado.
A semana passou bem rápido, acho que foi porque eu estava tão animada para ir até Wilmington, que não prestei atenção nos dias que se passaram desde então. Já eram sete horas e cinquenta minutos, minha mala já estava pronta, eu já havia tomado café, só faltava passar na casa de Nathalia para pegar ela e irmos até Wilmington. Desci as escadas e fui direto a garagem pegar meu carro, pus minhas malas no porta-malas e fui em direção a casa de Nathalia.
Toquei a campainha e Nathalia abriu a porta na mesma hora.
–
Bom dia! – eu disse sorridente.
–
Oi – ela estava com cara de quem acabou de acordar e não queria sair da cama.
–
Nossa que cara é essa?
–
Eu odeio acordar cedo nos sábados, e você sabe muito bem disso.
–
São nove horas! Você deu sorte já que eu não quis sair às sete!
–
Eu acordo lá pelas três horas em dias de sábado... espera, você disse que
queria sair sete horas? Que horror! Você é meio maluca, só acho.
–
Você tomou café?
–
Não, mas obrigada por lemb...
Não deixei terminar a frase. Puxei-a pelo braço, abri a porta do carro e empurrei Nathalia para dentro do carro.
– Por que você fez isso?
–
Porque eu não quero que você tome café, você fica agitada, e são horas de
viagem, eu não ia aguentar você falando no meu ouvido.
–
Eu sei que você me ama.
–
Quem disse?
–
Tá ok então, para o carro. – ela disse com uma cara brava e começou a rir logo
depois e eu comecei a rir junto.
Depois de rir horas e ficar conversando a viagem toda sobre o Sr. Schmidt, Wilmington e café, finalmente chegamos em nosso destino.
–
Olá Wilmington! – disse Nathalia saltando do carro.
–
Como se uma cidade fosse falar com você.
–
Cale a boca.
–
Vem calar. – respondi rindo.
–
Não, estou com preguiça.
–
Ok então.
–
Em que hotel nós vamos ficar? – perguntou Nathalia.
–
Eu não pensei nisso, vamos procurar a casa primeiro, volta pro carro.
–
Ah – Nathalia revirou os olhos – eu mereço.
Entramos no carro novamente e começou a tocar Otherside, do Red Hot Chili Peppers e eu e Nathalia começamos a cantar junto com a música, desafinadas, mas isso não importava.
–
É aquela? – perguntou Nathalia apontando para uma casa abandonada igual a da
fotografia.
–
Eu acho que sim – respondi sorridente, só podia ser aquela casa, era idêntica a
da foto.
–
Eu tenho certeza.
–
Ok, vamos descer.
Descemos do carro e nos dirigimos em direção à porta.
–
Parece abandonada.
–
Está abandonada.
–
Vamos entrar?
–
Vamos entrar. – respondi dando um sorriso assustador.
–
Ai! – gritou Nathalia.
–
O que foi? – perguntei com uma expressão mais severa.
–
Eu esbarrei em alguma coisa que acabou cortando o meu dedo.
–
O que é isso? – perguntei sem nem prestar atenção no que Nathalia havia dito. Em
cima da estante havia vários quadros, e um me chamou atenção, era uma foto de uma
garotinha no balanço sendo empurrada por um homem. Era uma foto minha e do meu
pai.
-Emilly?
Emilly? – chamava Nathalia quando percebeu que eu estava parada chorando
enquanto olhava uma foto.
-Essa...
-Essa?
-Essa
sou eu e meu... sou eu e meu pai.
Nathalia ficou olhando para mim e para foto por uns cinco minutos. Passaram os cinco minutos e Nathalia começou com a avalanche de perguntas, como ela sempre faz quando está nervosa.
-Essa é você? E seu pai? Nossa como ele era novo! Não pode ser você, essa, menina é fofa demais pra ser você! Meu Deus é você?
-Sim,
sim e sim.
-Nossa,
eu estou sem palavras, olha como você usava roupas coloridas!
-Nathalia,
a foto está em preto e branco.
-E
daí? Eu sei que era colorida. Olha, tem mais quadros ali.
Fui em direção a um quadro com a foto da mulher mais linda que eu já vi. Minha mãe. Minha mãe tinha cabelos negros, como os meus, e olhos azuis bem claros. Fiquei parada olhando para a foto, que lugar era aquele? Era a minha casa?
-Quem
é essa moça bonita? – perguntou Nathalia.
-É
a minha mãe.
-Nossa,
ela parece com você, só que com olhos azuis. Os olhos da sua mãe também eram
bonitos, até mais bonitos que os seus, sem querer ofender claro, mas os da sua
mãe são dez vezes mais bonitos.
-Só
porque são iguais aos seus.
-Não
bobinha – ela disse mostrando a língua – os meus são mais escuros.
-Vamos
para de discutir sobre olhos?
-Tanto
faz, ei, olha que bebê fofinho! – disse Nathalia apontando para uma foto de um
bebê gordinho.
-Fofo
mesmo, olha atrás, veja se está escrito alguma coisa!
-Sim!
Aqui... “Nossa pequena Emilly Tarver e a data 19/05/1999”.
-Sou
eu? – perguntei espantada, meu sobrenome não era Tarver... bem, desde que eu
fui adotada não era mais, só que meus “pais” preferiram deixar o meu primeiro
nome igual.
-Eu
acho que sim.
-Então...
essa casa é mesmo...
-Do
seu pai, da sua mãe e sua.
-É...
então... por que o Sr. Schmidt estava naquela foto? Ele era amigo do meu pai?
Por que eu não me lembro dele?
-Você
lembra dele, como assassino, mas lembra.
-Será...
meu Deus.
-O
que foi?
-E
se o Sr. Schmidt fosse amigo do meu pai e tivesse matado ele?
-O
nosso professor de História assassinando alguém. É mais provável ele assassinar
algum aluno do que o seu pai, Emilly.
-Porém
nada é impossível, temos que investigar mais, venha, vamos ver o negócio do
hotel, estou vendo que vamos passar mais uns dias aqui.
-E
a escola?
-Nós
daremos um jeito.
Capítulo 5: A matéria
Achamos um hotel próximo à antiga casa de meu pai. Entramos no mesmo, pedimos um quarto e pagamos 3 dias de hospedagem. Levamos nossas malas para o quarto e colocamos algumas roupas em cabides no guarda-roupa.
– E se alguém roubar minhas roupas? – perguntava Nathalia com medo de que suas roupas sumissem ou coisa do tipo – E se levarem minhas coisas? E se eu esquecer?
– Guarda logo Nathalia – eu dizia já irritada – temos que nos preocupar com a foto.
– Ah, claro. Se eu voltar pra casa sem roupa eu vou gastar todo seu dinheiro da mesada em roupas pra mim, eu sei que você ganha uma mesada alta mocinha – ela riu.
– Como você sabe? – eu disse apertando os olhos e dando um sorriso de leve.
– Eu sei tudo sobre você – ela disse com o mesmo olhar e logo em seguida começamos a gargalhar.
Tomei um banho e Nathalia fez um mesmo, só que depois de mim obviamente. Deitamos na cama que era de casal e logo apagamos, pelo menos Nathalia dormiu de pijama.
– Emilly – chamou Nathalia quase sussurrando.
– Eu – respondi, já eram duas horas da manhã pra que me acordar? – o que foi?
– Olha isso – ela virou o computador para mim e vi a imagem de um jornal de mil novecentos e noventa e nove.
“Morador de Wilmington é assassinado em frente à lanchonete” – era o título da matéria, continuei lendo – “John Tarver foi morto em frente ao “Lauren’s café” – por um homem ainda não identificado pela polícia – com dois tiros na cabeça – depois do “dois tiros na cabeça” eu parei de ler, era demais pra mim.
– O que foi Emilly?
– Eu não... onde? Que site é esse? Eu preciso do nome do jornal, o nome de quem escreveu a matéria... – eu comecei a falar rápido como Nathalia falava quando estava nervosa – Nathalia anda logo, procura!
– Eu estou procurando calma! Hum... Achei! O lugar foi fechado e o jornal não existe mais – disse ela parecendo decepcionada.
– E o autor da matéria? – ela digitou o nome do autor – Nathalia? Achou alguma coisa?
– Sim, más notícias.
– O quê? Fala logo!
– Ele faleceu em dois mil e quatro.
– Droga. Droga. Droga.
– Droga vezes três.
– Do que ele morreu?
– Eu lá quero saber do que o velho morrer?
– Não sei, mas eu quero.
– Câncer no pulmão – os olhos de Nathalia se encheram de lágrimas, mesmo ela não tendo conhecido o moço ela era uma pessoa muito sensível. Não era legal ver ela chorando, ela parecia um panda fofinho, eu amo pandas. – Oh, meu Deus, meus pêsames à família dele.
– Não chora Lia, mas, e onde escreviam o jornal? Onde ficava?
Ela me mostrou o endereço e ficava à duas quadras do hotel. Bingo. O local foi abandonado, nenhuma mudança.
– Vou dormir Emilly, estou com sono e pelo jeito o dia amanhã será longo.
– Dorme bem Lia.
– Você também Emy.
– Emy? – perguntei confusa, ela nunca me chamou de “Emy”.
– Emy. – ela afirmou.
Acordei com Nathalia gritando alguma coisa sobre uma mulher ter batido na porta de manhã e pedido pra limpar o quarto.
– Emilly vão roubar minhas roupas o que eu faço? – ela gritava desesperada.
– Nathalia você nunca ficou hospedada em um hotel? – perguntei olhando pra ela com uma careta – Ela é a camareira.
– Não, nunca, tenho cara de rica? – ela perguntou apontando pro próprio rosto – Eu pensei que era uma mulher-ninja que ia nos atacar e a gente ia ter que fugir do...
– Cale a boca, por favor, Nathalia. Olha me desculpa pelo que acabou de acontecer moça, a senhora pode vir limpar o quarto mais tarde?
– Não foi nada meu anjo – respondeu a simpática camareira – eu volto mais tarde então. – ela fechou a porta e saiu.
– Emilly – chamou Nathalia.
– Sim?
– Quando a gente sair, vamos levar as fotos e os celulares, se necessário até o notebook – ela apontou pro notebook que estava dentro da mochila –, eu não fui com a cara dessa camareira.
– Certamente você não foi com a cara dela Nathalia, você nunca vai com a cara das pessoas.
– Vamos logo? – ela perguntou batendo o pé.
– Vamos apressadinha.
Chegamos em nosso destino, que cá entre nós, era horrível.
– Como vamos abrir? – perguntou Nathalia. Tirei um grampo do cabelo dela e coloquei na fechadura, segundos depois abri a porta – deixa pra lá.
– Entra. – eu disse séria.
– Depois a apressada sou eu – Nathalia murmurou – o que a gente veio procurar aqui?
– Pistas?
– Que tipo de pistas? Como a gente vai achar pistas em um lugar onde escrevem jornais? – ela fazia perguntas com o tom de voz elevado – Eles não têm nada a ver com isso Emilly, pensa.
– Se eles escreveram uma matéria sobre o assassinato do meu pai eles falaram com a polícia – eu disse parecendo uma pessoa inteligente, claro que eu sou e... Ah, quem liga? – então eles anotaram coisas em algum lugar, mas podem não ter publicado Nathalia, pensa.
– Então está bem, vamos procurar logo.
Eram tantos rascunhos, todos arquivados, guardados em gavetas,
todos com data, como os jornais. Em cada gaveta tinha o ano em que os jornais
que estavam na mesma haviam sido publicados. Mil novecentos e noventa, mil
novecentos e noventa e um, noventa e dois... Mil novecentos e noventa e nove.
Bingo.
– Mil novecentos e noventa e sete, cinco de Julho. Aqui o rascunho.
– Você tem certeza que tem alguma pista aí? – perguntou Nathalia.
– Não, mas se tiver a gente vai estar mais perto ainda do assassino. – dei um leve sorriso.
– Você é meio maluca – ela disse olhando para os papéis que estavam em minhas mãos –, mas eu também não sou normal... Abre logo essa coisa.
Abri e o que eu queria estava ali, porém havia rascunhos de todas
as matérias que estavam naquele jornal. “Incêndio em prédio” “Crianças em
árvore” e finalmente “Morador de Wilmington é assassinado em frente à
lanchonete”.
– O que está escrito? – perguntou Nathalia entusiasmada.
– Está dizendo que as câmeras gravaram o homem dando tiros no meu pai, que ele não foi reconhecido, mas que ele – minha voz falhou. – que ele está solto por aí podendo cometer outros crimes, matar outras pessoas.
– Será que depois desses anos todos ele nunca foi preso?
– Eu não sei, eu fui direto pro orfanato e dois anos depois meu “pai” e minha “mãe” me adotaram.
– Espera, você estava em um orfanato de Wilmington certo?
– Sim – afirmei – por quê?
– Seu “pai” – ela disse dobrando dois dedos fazendo sinal de aspas ao falar pai – morava aqui em Wilmington?
– Não, os pais da minha “mãe” – eu disse também dobrando os dedos ao falar a palavra mãe. – moram aqui e estavam procurando por uma criança já que meu pai não pode ter filhos, aí eles me adotaram.
– Entendi, você vai levar isso com você? – ela perguntou apontando para os papéis – como a gente já terminou tudo por aqui, a gente vai voltar pra Manhattan?
– Sim, vou levar isso – eu disse balançando os papéis com todos os rascunhos das matérias que estavam naquele jornal – e sim vamos voltar pra Manhattan ainda hoje.
– O.k., certeza de que terminamos tudo por aqui?
– Absoluta – respondi fazendo um sinal de positivo com o polegar.
Chegamos no hotel, fizemos nossas malas, pegamos nossos celulares,
laptops, roupa, tudo. Pegamos as malas e as guardamos no “porta-Nathalia” do
carro. Deixei Nathalia na porta da casa dela e em seguida fui pra minha casa.
– Oi mãe – eu disse para minha mãe –, tudo bem?
– Tudo sim querida, como foi a viagem? – ela me olhou curiosa – visitou seus avós? – eu não visitei meus avós. Eu. Não. Visitei. Meus. Avós.
– É... Claro! – por que eu disse isso?
– Seu avô está bem?
– Está ótimo.
– Emilly, seu avô morreu quatro anos atrás, somente sua avó está viva – como eu não me lembrei disso? Como eu esqueci que o avô morreu? –, não precisa mentir pra mim pequena Emilly.
– Pequena? – eu a olhei com espanto – mãe, eu sou mais alta que você!
–O.k., vá dormir Emilly, você deve estar cansada – ela bocejou – eu também estou, mas não fui eu que viajei num carro com a Nathalia por duas horas.
– Eu não estou com sono mãe.
–Emilly York, vai pro seu quarto agora antes que eu me aborreça.
– O.k. – fiz cara feia.
Li os rascunhos umas cem vezes. Não tinha nada. Revirei minha
bolsa e vi a foto da minha verdadeira mãe, tirei-a da mochila e fiquei olhando
pra ela, quando alguém bateu na da porta. Escondi a foto no mesmo instante.
– Emilly? – dizia meu pai do outro lado da porta – Posso entrar?
– Pode. – respondi.
– Oi filha – ele abriu um sorriso –, nem falou comigo. Como foi a viagem?
– Foi legal.
– Você não parece animada. – ele me encarou – Você brigou com Nathalia?
– Não, só estou com sono. – fingi que bocejei – Pai o senhor se importa...?
– Não, não, eu entendo, viajar do lado da Nathalia deve ser cruel.
– Nem tanto – ri e ele riu junto.
– Boa noite meu anjo – ele me deu um beijo na testa –, bons sonhos.
– Boa noite pai.
Assim que ele saiu tirei a foto da minha mãe debaixo do
travesseiro e a olhei por mais alguns minutos. Ela era linda. Cabelos pretos,
olhos azuis... A mulher perfeita. Já meu pai louro e de olhos verdes.
Decidi ir dormir, seria mais um dia longo.
Capítulo 6: O Armário do zelador
Acordei com o barulho
irritante de meu despertador e tudo que eu queria era jogar aquela coisa na
parede, mas foi caro, então eu não faria isso. Levantei da cama um pouco tonta
e dirigi-me ao banheiro para tomar um banho e escovar meus dentes. Eu estava indo
para a cozinha para preparar meu café da manhã quando um ser ruivo começou a
gritar da calçada.
–
Emilly! – Nathalia continuava gritando
–
Já vai encosto – Gritei de volta enquanto apertava um botão para o portão
abrir.
Nathalia
veio correndo em minha direção e pulou em cima de mim sem nem mesmo dar tempo
de eu fechar o portão.
–
Você não sabe – Disse Nathalia rindo
–
O quê? O que houve? – comecei a falar que nem Nathalia quando ela ficava
nervosa - Alguma pista?
–
Não – ela começou a rir – eu estava passando em uma rua, e de repente caí em
cima de uma moto que estava estacionada e as outras caíram também, feito um
dominó.
– E alguém viu? – comecei a rir também.
–
Sim, os caras ficaram correndo atrás de mim por uns vinte minutos – Disse
Nathalia rindo enquanto colocava a mão na barriga – Você tem café?
–
Não – menti, Nathalia fica agitada com café, mais agitada que o normal.
Subi
as escadas com Nathalia contando sobre sua “fuga”. Ao subir as escadas e entrar
em meu quarto Nathalia começou a fazer uma serie de perguntas como “Você
encontrou alguma pista?” “Você fez a lição de casa?” “Você tem Nutella?”.
–
Pela última vez eu NÃO tenho Nutella. – falei já irritada
–Ok.–
Disse ela abaixando a cabeça e sentando em minha cama – Eu só queria pão
com Nutella, só isso.
–
Venha cá minha panda fofinha, – eu disse indo até Nathalia e abraçando-a –
depois eu compro Nutella pra você, eu sei que você gosta.
–
Eba! – ela levantou da cama num pulo e começou a correr pelo quarto – vou comer
pão com Nutella!
–
Isso, e vai fazer um pra mim também.
–
Eu não, se vira. – ela me respondeu e eu fiquei surpresa.
–
Nossa, que amiga.
–
Amigona, – ela sorriu – a gente tem escola.
–
É mesmo, pega meu material? – perguntei apontando para a minha mochila.
–
Pego sim – ela respondeu –, mas depois eu quero dinheiro, isso cansa sabia?
–
Preguiçosa.
Peguei
eu mesma o meu material – eu não pagaria Nathalia – e descemos as escadas em
direção à cozinha, peguei uma maçã e fui para a garagem junto com Nathalia.
–
Você gosta mesmo de maçãs, não é?
–
Sim. – acho que se eu fosse a Branca de Neve e uma velhinha me desse uma maçã
eu aceitaria, não estaria nem aí se estaria envenenada.
Entramos
no carro e fomos para a escola, estacionei meu carro na vaga de sempre bem na
hora que o sinal tocou.
–
Que aula você tem agora? – Perguntou Nathalia olhando seu horário
–
Biologia, e você?
–
Matemática, não acredito que vou ter que ficar uma hora com aquele professor
que só dorme e depois não sabe por que tá cheio de bolinhas de papel grudadas
no cabelo.
–
Pelo menos você não vai ter que dissecar sapos hoje.
Nathalia
quase vomitou ao ouvir a palavra “sapos”, bem digamos que aconteceu algum
acidente dissecando sapos na quarta série, pobre Nathalia. Bons tempos...
–
Bem, talvez eu não reclame mais das aulas de matemática – Disse ela ainda com a
mão na boca.
O
sinal tocou e nos despedimos, indo em direção aos nossos destinos. Entrei na
sala doze e encontrei todos os meus amigos já fazendo a lição. Sentei-me à mesa
de sempre e logo depois ouvi o professor me chamar.
–
Senhorita York, traga a lição de casa para que eu possa corrigir. – quase
surtei, pois como eu tinha ido para Wilmington, eu tinha esquecido
completamente de que a escola existia, resumindo: eu não fiz a lição de
Biologia. Que maravilha, não?
–
É... Professor, eu fui pra Wilmington ver meus avós com a Nathalia e não fiz a
lição, posso te entregar na próxima aula?
–
Não, não e não. A senhorita já me entregou seis lições atrasadas.
–
Sete – murmurei com a intenção de quem ninguém ouvisse, mas todos ouviram.
–
E a senhorita acha isso bonito? – alguém manda parar de me chamar de senhorita?
– vou lhe dar uma advertência.
–
Mas eu... Certo, sem problemas, faça isso. – as palavras começaram a sair – Eu
disse para o senhor o porquê de eu não ter feito a lição, perguntei se podia
lhe entrega-la na próxima aula, mas se o senhor prefere me dar uma advertência
tudo bem. – o professor fechou os olhos e parecia estar pensando se iria ou não
se arrepender do que ia fazer.
–
A senhorita pode me entregar a lição na próxima aula. – aprendi isso com
Nathalia. – Na próxima aula!
-
Ok professor, - sorri – pode deixar que na próxima aula o senhor terá a lição
em suas mãos.
Voltei
a minha cadeira e me sentei, depois de alguns instantes o professor começou a
falar como dissecaríamos os sapos, o que me fez lembrar do pequeno acidente de
Nathalia na quarta série quando dissecaríamos os sapos pela primeira e vez e
quando ela se tornou minha melhor amiga.
O dia estava quente e as ruas bem movimentadas, minha mãe me levava para
o meu primeiro dia de aula na Laclistock High School, ela havia parado em
frente a escola e começado a falar comigo enquanto eu saia do carro
– Boa sorte Emilly, volto pra te pegar às onze – Ela disse enquanto me
dava um beijo na testa
– Ok mamãe – Disse pegando minha mochila e indo em direção a porta da
escola
Entrei na escola e fiquei andando pelos corredores procurando o armário
118.
Após uns dez minutos procurando o armário naquele labirinto de corredores eu
coloquei minhas coisas dentro dele e peguei meu horário, minha primeira aula
seria de ciências, na sala doze.
Peguei o livro e meu caderno e fui em direção à sala de ciências, que para
minha sorte era no mesmo corredor que meu armário. Sentei-me em uma cadeira
encostada na parede enquanto um professor começava a falar sobre sapos.
– Bom dia crianças – Disse o professor – Meu nome é James Blonfad para
quem não me conhece ainda, sou o professor de ciências e hoje eu irei
ensinar-lhes como dissecar sapos.
– Acho que vou vomitar. – disse uma garota ruiva à minha direita enquanto
o professor Blonfad nos mostrava a maneira mais simples de dissecar sapos.
Pobres sapinhos.
– Bom agora eu quero que vocês peguem seus sapos e comecem. – disse ele
com um sorriso no rosto.
Após cada um pegar seu próprio sapo fomos de novamente até nossas mesas
para começar. Eu estava indo começar a dissecar meu sapo quando a garota
ruiva do meu lado começou a gritar.
– ESTÁ VIVO! ESTÁ VIVO!
– Senhorita Nathalia, é impossível esse sapo estar vivo – Mas no mesmo
instante que o professor disse isso o sapo de Nathalia abriu o olho e começou a
pular pela sala inteira enquanto todos corriam para longe dele, o sapo
continuou pulando, mas entre um pulo e outro ele acabou pulando dentro da boca
de Nathalia que logo após cuspi-lo vomitou em cima do professor, fazendo com
que todos começassem a rir, menos eu.
– Por favor, alguém tire Nathalia da sala e a leve para a enfermaria. –
disse o professor tentando se limpar.
– Eu levo professor. – disse estendendo a mão para Nathalia já que a
mesma estava chorando no chão.
– Obrigado senhorita...
– York, Emilly York professor.
– Ok, hum, obrigado.
Peguei Nathalia e fui para a enfermaria (depois de um século procurando
já que ela também não sabia onde ficava).
– Por que você não riu de mim? – Perguntou ela enquanto a enfermeira lhe
dava um remédio para passar aquele gosto ruim de sapo que ainda estava em sua
boca. Eca.
– Porque tive pena de você, e minha mãe me ensinou a nunca fazer com os
outros oque você não quer que façam pra você.
– Obrigada...Emilly, certo? Ela disse enquanto enxugava as lágrimas – Até
que você é legal... Gostaria de ser minha amiga?
– Sim! – Eu disse sorrindo – Claro!
E
foi assim que eu conheci minha melhor – e única – amiga. Comecei a rir com
essa lembrança até o professor começar a me chamar.
-
O que há de engraçado Srta. York?
-
Nada professor, apenas uma lembrança.
-
Ok, então volte a dissecar seu sapo senhorita York.
Após
dissecar os sapos e ter duas aulas de português, teve a aula que eu menos
queria ter, a de história, fui até meu armário e peguei meu material de
história, pelo menos Nathalia também teria essa aula, eu estava indo para a
sala vinte e sete, enquanto eu passava pelo armário do zelador e alguém me
puxou e colocou a mão em minha boca para que eu não gritasse. A luz estava
apagada então não consegui ver quem era que havia me puxado para da um soco na
cara desse infeliz.
Capítulo 7: Nathalia
sabe-tudo
Finalmente consegui alcançar
o interruptor e acender a luz, assim podendo ver quem havia me puxado. Virei e
me deparei com uma criatura ruiva e assustada.
– Sapos. – disse Nathalia com os
olhos arregalados –Sapos por todos os lados.
- Você deve estar brincando comigo. – comecei a falar – Sapos Nathalia?
Sapos?
- Você lembra o que aconteceu Emilly.
- Sim eu me lembro, - respondi – mas precisava disso tudo?
- Eu... Sim? – disse confusa.
- Não! – respondi – Você entrou na sala de biologia, não foi?
- Talvez, – ela olhou para o chão e depois olhou pra mim com cara de
nojo – mas só talvez!
- Eu te odeio, sabia? – falei
- Eu também te amo! – ela veio em minha direção e tentou me abraçar,
mas eu me esquivei.
- Quem disse que eu te amo? – eu amo, mas isso é um segredo meu e seu,
ok?
- Eu, e eu sempre estou certa. – comecei a rir descontroladamente – Do
que você está rindo Emilly? Eu tenho cara de palhaça?
- Tem sim – eu estava rindo cada vez mais, e eu estava ficando sem ar.
Quando eu finalmente parei de rir voltei a falar – Querida Nathalia, você está
certa em apenas 0,1% das coisas, e em 99,9% das coisas você está errada.
- Nossa, você é boa com gráficos. – ela me elogiou – Mas este está
errado. Faça-me uma pergunta sobre... Sei lá, História?
- Quem foi o primeiro presidente da Inglaterra?
- Abraham Lincoln.
- Nathalia, a Inglaterra nunca foi governada por um presidente ou
presidenta. – depois dessa acho que não durmo mais – E Abraham Lincoln foi o
décimo sexto presidente dos Estados Unidos, não o primeiro.
- Eu sei que William Shakespeare foi o primeiro presidente dos Estados
Unidos, – ela disse – eu só estava te testando.
- William Shakespeare foi o primeiro presidente dos Estados Unidos? –
eu não escutei o que ela disse – Tudo bem, agora a gente pode sair desse
armário? Temos aula de História e eu acho que você está precisando. Preciso
conversar com sua mãe, pra ela marcar aulas particulares pra você.
- Por quê? – ela perguntou
- Esquece. – eu disse abrindo a porta para sair daquele armário
apertado e fedido. – Vamos pra aula de História.
Sabe uma coisa legal? Passar
cinquenta minutos olhando para um talvez assassino. Isso é a coisa mais legal
do mundo! Eu amo essa aula! Verdade, eu amo História, mas essa aula eu não
prestei atenção. Só algumas coisas, ele estava falando sobre a Grécia e sua
cultura.
- Senhorita York? – o mesmo me chamou – Sobre o que eu estava falando?
- Sobre a Grécia e sua cultura, professor. – respondi, sou uma boa
aluna, viu? – Crenças, mitos e sobre as cidades também.
- Parabéns senhorita York. Pelo visto, a senhorita foi a única que
prestou atenção na aula. – ele disse arrumando suas coisas para sair da sala –
Chamada oral na próxima aula pessoal. – e todos começaram a murmurar – Sobre
Ártemis.
O professor saiu da sala e
logo depois a professora de Geografia entrou.
Intervalo seu lindo, chegue
logo. Eu não estou morrendo de fome, nem nada, é que hoje eu trouxe duas mini
maçãs para comer. Eu amo maçã. Eu sou maçãnator, com licença. Eu faria uma
dancinha feliz aqui mesmo em sala de aula, mas já me acham estranha, o que vão
pensar de mim se eu fizer isso?
– Bom dia crianças. – disse a professora Condell. Crianças? – Abram o
livro na página noventa e oito.
– Nathalia. – sussurrei para minha amiga que estava dormindo na cadeira
ao lado. – Acorda Nathalia.
E então tive a brilhante ideia
de ligar para o celular nada escandaloso de Nathalia. O celular dela vibra e
toca uma música tão alta que parece que o barulho sai de uma caixa de som do
meu tamanho. Espero que ela esteja com o celular no bolso.
– Professora, posso ir ao banheiro? – perguntei para a professora que
estava corrigindo alguns exercícios.
– Claro. – Ela me entregou o passe do banheiro. – Mas volte logo, quero
olhar o caderno ou fichário de todos vocês.
– Sem problemas professora. – olhei mais uma vez para Nathalia, que
agora estava babando na mesa (nojento) e saí da sala.
Fui até o banheiro, mas não
entrei na cabine. Tirei meu celular do bolso e disquei o número de Nathalia.
Não sei como a pessoa consegue ser tão retardada. Nathalia eu te amo, mas cá
entre nós, você tem uns parafusos a menos.
– Alô Emilly? – Nathalia dizia quase gritando. Isso me cheira à
advertência ou ainda suspensão. Se duvidar os dois juntos. – Por que você não
está na sala?
– É que eu estou procurando uma coisa.
– O quê? – ela perguntou curiosa, dava pra perceber na voz dela.
– Seu cérebro. – respondi
– Emilly, a professora está mandando eu desligar e está pedindo para
você me encontrar na diretoria.
– Te vejo lá, tchau.
Saí do banheiro e fui direto para a
diretoria. Eu provavelmente vou ficar
sem celular, computador, televisão, mp3...
Após uns dez minutos procurando o armário naquele labirinto de corredores eu coloquei minhas coisas dentro dele e peguei meu horário, minha primeira aula seria de ciências, na sala doze.
Peguei o livro e meu caderno e fui em direção à sala de ciências, que para minha sorte era no mesmo corredor que meu armário. Sentei-me em uma cadeira encostada na parede enquanto um professor começava a falar sobre sapos.
Capítulo 7: Nathalia
sabe-tudo
Finalmente consegui alcançar
o interruptor e acender a luz, assim podendo ver quem havia me puxado. Virei e
me deparei com uma criatura ruiva e assustada.
– Sapos. – disse Nathalia com os
olhos arregalados –Sapos por todos os lados.
- Você deve estar brincando comigo. – comecei a falar – Sapos Nathalia?
Sapos?
- Você lembra o que aconteceu Emilly.
- Sim eu me lembro, - respondi – mas precisava disso tudo?
- Eu... Sim? – disse confusa.
- Não! – respondi – Você entrou na sala de biologia, não foi?
- Talvez, – ela olhou para o chão e depois olhou pra mim com cara de
nojo – mas só talvez!
- Eu te odeio, sabia? – falei
- Eu também te amo! – ela veio em minha direção e tentou me abraçar,
mas eu me esquivei.
- Quem disse que eu te amo? – eu amo, mas isso é um segredo meu e seu,
ok?
- Eu, e eu sempre estou certa. – comecei a rir descontroladamente – Do
que você está rindo Emilly? Eu tenho cara de palhaça?
- Tem sim – eu estava rindo cada vez mais, e eu estava ficando sem ar.
Quando eu finalmente parei de rir voltei a falar – Querida Nathalia, você está
certa em apenas 0,1% das coisas, e em 99,9% das coisas você está errada.
- Nossa, você é boa com gráficos. – ela me elogiou – Mas este está
errado. Faça-me uma pergunta sobre... Sei lá, História?
- Quem foi o primeiro presidente da Inglaterra?
- Abraham Lincoln.
- Nathalia, a Inglaterra nunca foi governada por um presidente ou
presidenta. – depois dessa acho que não durmo mais – E Abraham Lincoln foi o
décimo sexto presidente dos Estados Unidos, não o primeiro.
- Eu sei que William Shakespeare foi o primeiro presidente dos Estados
Unidos, – ela disse – eu só estava te testando.
- William Shakespeare foi o primeiro presidente dos Estados Unidos? –
eu não escutei o que ela disse – Tudo bem, agora a gente pode sair desse
armário? Temos aula de História e eu acho que você está precisando. Preciso
conversar com sua mãe, pra ela marcar aulas particulares pra você.
- Por quê? – ela perguntou
- Esquece. – eu disse abrindo a porta para sair daquele armário
apertado e fedido. – Vamos pra aula de História.
Sabe uma coisa legal? Passar
cinquenta minutos olhando para um talvez assassino. Isso é a coisa mais legal
do mundo! Eu amo essa aula! Verdade, eu amo História, mas essa aula eu não
prestei atenção. Só algumas coisas, ele estava falando sobre a Grécia e sua
cultura.
- Senhorita York? – o mesmo me chamou – Sobre o que eu estava falando?
- Sobre a Grécia e sua cultura, professor. – respondi, sou uma boa
aluna, viu? – Crenças, mitos e sobre as cidades também.
- Parabéns senhorita York. Pelo visto, a senhorita foi a única que
prestou atenção na aula. – ele disse arrumando suas coisas para sair da sala –
Chamada oral na próxima aula pessoal. – e todos começaram a murmurar – Sobre
Ártemis.
O professor saiu da sala e
logo depois a professora de Geografia entrou.
Intervalo seu lindo, chegue
logo. Eu não estou morrendo de fome, nem nada, é que hoje eu trouxe duas mini
maçãs para comer. Eu amo maçã. Eu sou maçãnator, com licença. Eu faria uma
dancinha feliz aqui mesmo em sala de aula, mas já me acham estranha, o que vão
pensar de mim se eu fizer isso?
– Bom dia crianças. – disse a professora Condell. Crianças? – Abram o
livro na página noventa e oito.
– Nathalia. – sussurrei para minha amiga que estava dormindo na cadeira
ao lado. – Acorda Nathalia.
E então tive a brilhante ideia
de ligar para o celular nada escandaloso de Nathalia. O celular dela vibra e
toca uma música tão alta que parece que o barulho sai de uma caixa de som do
meu tamanho. Espero que ela esteja com o celular no bolso.
– Professora, posso ir ao banheiro? – perguntei para a professora que
estava corrigindo alguns exercícios.
– Claro. – Ela me entregou o passe do banheiro. – Mas volte logo, quero
olhar o caderno ou fichário de todos vocês.
– Sem problemas professora. – olhei mais uma vez para Nathalia, que
agora estava babando na mesa (nojento) e saí da sala.
Fui até o banheiro, mas não
entrei na cabine. Tirei meu celular do bolso e disquei o número de Nathalia.
Não sei como a pessoa consegue ser tão retardada. Nathalia eu te amo, mas cá
entre nós, você tem uns parafusos a menos.
– Alô Emilly? – Nathalia dizia quase gritando. Isso me cheira à
advertência ou ainda suspensão. Se duvidar os dois juntos. – Por que você não
está na sala?
– É que eu estou procurando uma coisa.
– O quê? – ela perguntou curiosa, dava pra perceber na voz dela.
– Seu cérebro. – respondi
– Emilly, a professora está mandando eu desligar e está pedindo para
você me encontrar na diretoria.
– Te vejo lá, tchau.
Saí do banheiro e fui direto para a
diretoria. Eu provavelmente vou ficar
sem celular, computador, televisão, mp3...
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